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Quem conta um conto ...


Estou numa fase de só ler contos. E estou adorando isso. É bacana saber que as editoras voltaram a publicar coletâneas dessas pequenas histórias nem sempre boas, assim como o romance. A vantagem é que você leva cerca de 1 semana para ler um romance de 300 páginas para dizer: "que porcaria de livro" e perde apenas 30 minutos com um conto ruim.


Mês passado comprei 2 livros de contos de Georges Simenon, todos protagonizados pelo inspetor francês Maigret. Nunca me divertí tanto com um livro policial. Em 15 páginas você se depara com um caso a ser resolvido, fica sabendo quem é o assassino e o que o levou a arquitetar o plano. Não fico 2 semanas nessa tensão toda; é quase como assistir um desenho do Scooby Doo.

Os livros do Simenon são maravilhosos, porém não foram eles que me encantaram. Mas sim duas revistas fantásticas: GRANTA e ARTE E LETRA . A última em especial vale muito a pena. Trata-se de uma copilação de contos lançada bimestralmente com a boa idéia de não serem numeradas, mas sim letradas. Ao invés de comprar o volume 1, depois o 2 e em seguida o 3, você compra a letra A, depois a B, a C, e assim por diante. Já está na letra F e o preço é muito convidativo: 14 reais cada volume. Cada edição é muito bem editada, sempre acompanhada de ilustrações primorosas e com escritores de ponta. Apesar da revista contar com textos de Saramago, Stephen King, Sartre, Allan Poe, Faulkner, Machado, entre outros, o mais interessante dela são os autores menos conhecidos do grande público. Nomes como Judith Hermann, David Foster Wallace, entre outros que não têm suas obras traduzidas e antes não haviam dado o prazer de seus textos aos brasileiros, são gratas surpresas para quem é amante das boas idéias e dos textos bem escritos.

A revista GRANTA não fica atrás, já é conhecida mundialmente e sempre conta com excelentes nomes. Murakami, Coetzee, Safram Foer, Daniel Alarcon, entre outros já tiveram contos publicados por ela. Já estamos no volume 4 e cada edição conta com um tema, sendo o último "ambição", por exemplo. Perde para ARTE E LETRA no capricho da edição e no preço: cerca de 50 pratas.



Fica a dica pra quem gosta de ler vários livros ao mesmo tempo e não quer se confundir de história. Lendo um livro de contos você assimila 20 histórias diferentes em 1 semana.

Não posso finalizar esse texto sem mencionar autores especialistas nessa arte. Leiam Fernando Sabino, Sergio Sant´anna, Isaac Bashevis Singer e o melhor contista de todos os tempos: Leo Tolstoi.

De volta ao Planeta dos Macacos...


Sabe quando você põe na sua cabeça que precisa ler um livro em especial e quando chega a hora de decidir qual livro ler você esquece completamente qual título tinha em mente? Pois bem! Acontece comigo toda hora. Acontece que por força do destino acabei me lembrando de um deles.

Chegou às lojas semana passada a reedição feita pela editora Alfaguara de O Livro de Dave, mais um romance atorodoante e sarcástico de Will Self, um dos autores mais originais da literatura inglesa atual.  E foi quando me deparei com o livro que veio o flashback de outro romance do mesmo autor que havia me comprometido (comigo mesmo) a ler.

Trata-se de Grandes Símios. Livro que narra a louca experiência do bem sucedido artista plástico Simon Dykes que, depois de uma noitada daquelas, cai no sono. Quando acorda, se dá conta que sua namorada bonitona se transformou numa chimpanzé ninfomaníaca.

A maluquice não pára por aí: toda a população se transformou em macacos. O mundo mudou: os símios dominam tudo agora. Os humanos são, quando muito, meras atrações de circos ou de zoológicos. E essa população de chimpanzés dominantes querem provar ao protagonista de que ele também é um macaco. E para ser convencido de tal, Simon é internado numa clínica psiquiátrica e fica sob cuidados do Dr. Zack Busner, um psicanalista muito doido que chega a fazer uso de drogas em seu tratamento.

Tudo isso se trata de um Planeta dos Macacos diferente (e muito mais divertido). Um romance que te angustia e te faz rir. O jornalista Will Self, ouso dizer, é uma mescla da realidade pertubadora de Palahniuk e Burgues com a fantasia de Saramago ou de Garcia Marquez. Sem se esquecer do sarcascmo, que é sua marca registrada.

Vale a pena não apenas se divertir com esse mundo de chimpanzés, mas também com o de taxistas profetas (O Livro de Dave), ou com um mundo onde homens e mulheres adquirem genitálias opostas (Cock & Bull - Histórias Para Boi Dormir), ou quando uma senhora faz um programa de 12 passos para aprender a estar morta (Como Vivem os Mortos), etc. Ao menos para mim, está valendo a pena.


JABÁS

Tradução: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1769591&sid=8721182331131253780349046&k5=22828151&uid=

No original: http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=262768&sid=8721182331131253780349046&k5=68131E0&uid=

KISS: 25000 + 1


Depois de alguns dias sem passar por aqui, estou de volta...

O show do Kiss no Rio foi muito bom e contei como foi a emoção em outro blog, do qual agora faço parte. Quem quiser conferir, dá uma passada lá:



Oui, oui, oui...



Como todos sabem, esse ano comemoramos o ano da França no Brasil, retribuindo a gentileza, já que em 2007 fomos homenageados pelos franceses. E hoje pela tarde a Daphne que é responsável pela compra dos livros importados da livraria onde eu trabalho saiu feito uma doida pedindo dicas de autores franceses para trazermos para a loja. No começo só saíam os básicos e óbrigatórios: Camus, Victor Hugo, Dumas, Verne, Baudelaire e etc; mas aí fomos nos empolgando e nos dando conta que na terra de Napoleão tem livros "bons pra cacete" e em diversas áreas. Aos poucos, vou falar de algumas boas pedidas que, aliás, a maioria não lí, mas que me foram muito bem recomendadas.

Vou citando, de maneira bem resumida, algumas escolhas interessantes para quem quer se aventurar nos livros da terra do Zidane*...

Fugindo dos óbvios, uma boa opção de literatura francesa, apesar da autora ter nascido no Marrocos, é A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery.

É muito interessante ver como a autora, de uma maneira muito sutíl, entrelaça a vida das duas protagonistas: Renée, uma zeladora amante de literatura e de artes e Paloma, uma garota de 13 anos filha de um figurão da política e de uma dondoca fútil que esconde suas anotações filosóficas e um conhecimento muito vasto para uma menina da sua idade.

O que elas duas tem em comum? Tudo. As duas se conhecem num prédio chique parisiense e desde esse dia, a vida delas muda pra sempre. Principalmente depois de conhecer um simpático japonês que acaba de se mudar para o prédio.

Esse é o segundo romance da autora, mas é o primeiro traduzido para o português.

JABÁS

No original...


Tradução...




* Que fique bem claro que eu sei que Zinedine Zidade nasceu na Argélia, na realidade. Mas achei que o exemplo seria mais adequado que "a terra de Henry, ou Trezeguet ou Coupet...".

Um, Nenhum e Cem Mil é o romance mais complexo do dramaturgo, poeta e romancista (dã!) e vencedor do Prêmio Nobel de 1934: o italiano Luigi Pirandello.

Imaginem um senhor se olhando no espelho e cutucando a pele, por uma razão que no momento me foge. Então sua mulher pergunta o motivo de ele estar se olhando no espelho. Ao responder a pergunta, Vitangelo Moscarda (o protagonista) ouve o comentário que desencadeia toda a história: "pensei que você tivesse vendo para que lado cai o seu nariz", isso porque, segundo ela, o nariz dele pende levemente para a direita.

Tal afirmação deixa Vitangelo paranóico, sempre se imaginara um homem de nariz reto. Chegava então a terrível conclusão que não era para os outros quem ele pensava que era. Passa então a buscar se conhecer, saber quem era aquele "outro", aquele "intruso" que vivia no seu corpo e só se mostrava pros outros. No meio dessa busca incessante, ele vai chegando a conclusão que existem cem mil Moscardas num corpo que era um e nenhum ao mesmo tempo.

Confuso? Sim! Por isso Pirandello era, é e vai continuar sendo fanfarrão: um gênio.


JABÁS

No original...


Nunca leu Cândido? Pois devia!


Cândido é uma comédia romântica passada no século XVIII de autoria de "Monsieur le docteur Ralph" (Senhor Doutor Ralph), já ouviu falar? Não?! Deve ser porque esse foi o pseudônimo usado pelo autor François-Marie Arouet. Desse autor você já ouviu falar, né? Também não?! Isso porque esse é o verdadeiro nome do escritor, filósofo, ensaista iluminista francês que era mais conhecido como Voltaire. Um homem a frente do seu tempo, defendia as liberdades civil e religiosa, inclusive o livre comércio. Tudo isso eu tirei da Wikipedia, só pra constar.

O protagonista do inusitado romance de Voltaire é, obviamente, Cândido. Um rapaz criado no castelo do barão Thunder-ten-tronckh, de onde foi expulso por cortejar a filha do barão Conegundes. Cândido, graças aos ensinamentos do Doutor Pangloss, é um otimista inveterado. Seu grande lema é que "tudo está sempre o melhor possível". Mesmo só passando por desgraças em todas as suas andanças ao redor do mundo (Cândido passa pela Bulgária, por Constantinopla e até por Buenos Aires), o jovem sempre está sempre convicto de que tudo vai melhorar e de que a sua situação é sempre a melhor possível.

O livro é uma crítica bem humorada ao pensamento de que tudo está nas mãos de Deus e de que o mundo é maravilhoso e que não poderia ser melhor pra se viver. Voltaire criticou de maneira sarcástica todos os "Pangloss" e "Cândidos" da sua época, todos os filósofos que julgavam que todos tinham que se conformar com o mundo em que vivem, pois tudo está dentro dos planos divinos.

Portanto se você nunca leu Cândido, ou Cândido Ou O Otimismo, como também é conhecido, está perdendo um dos maiores livros da história.

"Se eu tivesse de indicar apenas um, este seria o livro. Voltaire é o meu pole-position, tanto na literatura quanto na filosofia. Cândido é uma história espetacular, uma mistura de ópera deRossini, cinema de Spielberg e humor de Monthy Python." Marcelo Tas

JABÁS

No original...

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=592581&sid=8721182331131253780349046&k5=36428413&uid=

Tradução...

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3116934&sid=189623191114718111137532&k5=38CD5BA&uid=

O homem que desafiou os diabos


Henrik, um velho general do Império austro-húngaro recebe uma carta de Konrad, alguém que ele não vê há 41 anos e 43 dias, quando o rapaz desapareceu sem dar motivos. É o que contam as primeiras páginas de As Brasas, romance do escritor Sándor Márai publicado em 1942. A obra relata o acerto de contas de dois ex grandes amigos. Acerto de contas este, feito num jantar de gala onde os dois travam um duelo acirrado onde as únicas armas utilizadas são as palavras.

Sándor Márai nasceu numa pequena cidade da Hungria, que hoje pertence a Eslováquia, e era muito popular em seu país até que em meados de 48, por combater tanto o nazismo quanto o regime comunista húngaro, teve toda a sua obra proíbida. Graças a isso o autor caiu no esquecimento e só foi lembrado em 1989 quando, já com 89 de idade, se matou com um tiro na cabeça em San Diego, nos EUA.

Resolví falar desse livro porque, além de ser o que eu estou lendo no momento, eu não lía algo tão bom há muito tempo. Sándor Márai é genial. Ele descreve tudo com o número de palavras suficiente: nem uma letra a mais ou a menos. Seu modo prático e cético de pensar se refletem na sua escrita. Sándor não faz uso de floreios, sua precisão é "bizarra". É como se cada palavra fosse tão valiosa que não pudesse ser desperdiçada em qualquer frase. Os diálogos entre os dois personagens principais são uma das melhores coisas que eu já lí na minha vida. Vale a pena demais.

A edição é da Cia. das Letras e tem na capa uma tela muito bonita de Mark Tansey, chamada Julgamento de Paris II.

JABÁ

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