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Oui, oui, oui...



Como todos sabem, esse ano comemoramos o ano da França no Brasil, retribuindo a gentileza, já que em 2007 fomos homenageados pelos franceses. E hoje pela tarde a Daphne que é responsável pela compra dos livros importados da livraria onde eu trabalho saiu feito uma doida pedindo dicas de autores franceses para trazermos para a loja. No começo só saíam os básicos e óbrigatórios: Camus, Victor Hugo, Dumas, Verne, Baudelaire e etc; mas aí fomos nos empolgando e nos dando conta que na terra de Napoleão tem livros "bons pra cacete" e em diversas áreas. Aos poucos, vou falar de algumas boas pedidas que, aliás, a maioria não lí, mas que me foram muito bem recomendadas.

Vou citando, de maneira bem resumida, algumas escolhas interessantes para quem quer se aventurar nos livros da terra do Zidane*...

Fugindo dos óbvios, uma boa opção de literatura francesa, apesar da autora ter nascido no Marrocos, é A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery.

É muito interessante ver como a autora, de uma maneira muito sutíl, entrelaça a vida das duas protagonistas: Renée, uma zeladora amante de literatura e de artes e Paloma, uma garota de 13 anos filha de um figurão da política e de uma dondoca fútil que esconde suas anotações filosóficas e um conhecimento muito vasto para uma menina da sua idade.

O que elas duas tem em comum? Tudo. As duas se conhecem num prédio chique parisiense e desde esse dia, a vida delas muda pra sempre. Principalmente depois de conhecer um simpático japonês que acaba de se mudar para o prédio.

Esse é o segundo romance da autora, mas é o primeiro traduzido para o português.

JABÁS

No original...


Tradução...




* Que fique bem claro que eu sei que Zinedine Zidade nasceu na Argélia, na realidade. Mas achei que o exemplo seria mais adequado que "a terra de Henry, ou Trezeguet ou Coupet...".

Um, Nenhum e Cem Mil é o romance mais complexo do dramaturgo, poeta e romancista (dã!) e vencedor do Prêmio Nobel de 1934: o italiano Luigi Pirandello.

Imaginem um senhor se olhando no espelho e cutucando a pele, por uma razão que no momento me foge. Então sua mulher pergunta o motivo de ele estar se olhando no espelho. Ao responder a pergunta, Vitangelo Moscarda (o protagonista) ouve o comentário que desencadeia toda a história: "pensei que você tivesse vendo para que lado cai o seu nariz", isso porque, segundo ela, o nariz dele pende levemente para a direita.

Tal afirmação deixa Vitangelo paranóico, sempre se imaginara um homem de nariz reto. Chegava então a terrível conclusão que não era para os outros quem ele pensava que era. Passa então a buscar se conhecer, saber quem era aquele "outro", aquele "intruso" que vivia no seu corpo e só se mostrava pros outros. No meio dessa busca incessante, ele vai chegando a conclusão que existem cem mil Moscardas num corpo que era um e nenhum ao mesmo tempo.

Confuso? Sim! Por isso Pirandello era, é e vai continuar sendo fanfarrão: um gênio.


JABÁS

No original...


Nunca leu Cândido? Pois devia!


Cândido é uma comédia romântica passada no século XVIII de autoria de "Monsieur le docteur Ralph" (Senhor Doutor Ralph), já ouviu falar? Não?! Deve ser porque esse foi o pseudônimo usado pelo autor François-Marie Arouet. Desse autor você já ouviu falar, né? Também não?! Isso porque esse é o verdadeiro nome do escritor, filósofo, ensaista iluminista francês que era mais conhecido como Voltaire. Um homem a frente do seu tempo, defendia as liberdades civil e religiosa, inclusive o livre comércio. Tudo isso eu tirei da Wikipedia, só pra constar.

O protagonista do inusitado romance de Voltaire é, obviamente, Cândido. Um rapaz criado no castelo do barão Thunder-ten-tronckh, de onde foi expulso por cortejar a filha do barão Conegundes. Cândido, graças aos ensinamentos do Doutor Pangloss, é um otimista inveterado. Seu grande lema é que "tudo está sempre o melhor possível". Mesmo só passando por desgraças em todas as suas andanças ao redor do mundo (Cândido passa pela Bulgária, por Constantinopla e até por Buenos Aires), o jovem sempre está sempre convicto de que tudo vai melhorar e de que a sua situação é sempre a melhor possível.

O livro é uma crítica bem humorada ao pensamento de que tudo está nas mãos de Deus e de que o mundo é maravilhoso e que não poderia ser melhor pra se viver. Voltaire criticou de maneira sarcástica todos os "Pangloss" e "Cândidos" da sua época, todos os filósofos que julgavam que todos tinham que se conformar com o mundo em que vivem, pois tudo está dentro dos planos divinos.

Portanto se você nunca leu Cândido, ou Cândido Ou O Otimismo, como também é conhecido, está perdendo um dos maiores livros da história.

"Se eu tivesse de indicar apenas um, este seria o livro. Voltaire é o meu pole-position, tanto na literatura quanto na filosofia. Cândido é uma história espetacular, uma mistura de ópera deRossini, cinema de Spielberg e humor de Monthy Python." Marcelo Tas

JABÁS

No original...

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=592581&sid=8721182331131253780349046&k5=36428413&uid=

Tradução...

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3116934&sid=189623191114718111137532&k5=38CD5BA&uid=

O homem que desafiou os diabos


Henrik, um velho general do Império austro-húngaro recebe uma carta de Konrad, alguém que ele não vê há 41 anos e 43 dias, quando o rapaz desapareceu sem dar motivos. É o que contam as primeiras páginas de As Brasas, romance do escritor Sándor Márai publicado em 1942. A obra relata o acerto de contas de dois ex grandes amigos. Acerto de contas este, feito num jantar de gala onde os dois travam um duelo acirrado onde as únicas armas utilizadas são as palavras.

Sándor Márai nasceu numa pequena cidade da Hungria, que hoje pertence a Eslováquia, e era muito popular em seu país até que em meados de 48, por combater tanto o nazismo quanto o regime comunista húngaro, teve toda a sua obra proíbida. Graças a isso o autor caiu no esquecimento e só foi lembrado em 1989 quando, já com 89 de idade, se matou com um tiro na cabeça em San Diego, nos EUA.

Resolví falar desse livro porque, além de ser o que eu estou lendo no momento, eu não lía algo tão bom há muito tempo. Sándor Márai é genial. Ele descreve tudo com o número de palavras suficiente: nem uma letra a mais ou a menos. Seu modo prático e cético de pensar se refletem na sua escrita. Sándor não faz uso de floreios, sua precisão é "bizarra". É como se cada palavra fosse tão valiosa que não pudesse ser desperdiçada em qualquer frase. Os diálogos entre os dois personagens principais são uma das melhores coisas que eu já lí na minha vida. Vale a pena demais.

A edição é da Cia. das Letras e tem na capa uma tela muito bonita de Mark Tansey, chamada Julgamento de Paris II.

JABÁ

É como matar um sabiá...


Traduzido como O Sol É Para Todos, To Kill A Mockingbird é, sem sombra de dúvidas, o meu romance favorito.

O romance escrito pela autora americana Harper Lee foi lançado em 1960 e virou filme em 1962. Apesar de ser o único livro da autora, lhe valeu um Prêmio Pulitzer, entre outras honrarias.

A história é narrada por Scout, uma menina de seis anos de idade que vive com o seu irmão Jem e seu pai, o advogado viúvo Atticus Finch, interpretado nas telonas por Gregory Peck (vencedor do Oscar pelo filme, único de sua carreira). A trama se passa numa pequena cidade do Alabama na época da depressão americana. Uma terra assolada pelo preconceito racial que, by the way, é o ponto alto do livro: pois Atticus é encubido de defender Tom, um negro acusado errôneamente de ter estuprado uma jovem branca. O livro pode parecer denso e pesado, mas, até por ser narrado por uma garotinha, é leve e encantador. Todos os personagens narrados por Harper são únicos:
Calpúrnia, Dill, Boo Radley, entre outros.

O romance, considerado um dos melhores dos EUA, já foi escolhido por diversos bibliotecários da Grã-Bretanha como a obra que todo mundo deve ler antes de morrer no dia mundial do livro de 2006, deixando pra trás O Senhor dos Anéis, Orgulho e Preconceito, 1984 e até mesmo a Bíblia.

Só por curiosidade, a autora foi representada nos cinemas no longa metragem Capote (2005). A atuação de Catherine Keener lhe rendeu um oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. A autora americana era a melhor amiga do jornalista, também estadunidense.

Pra quem pretende ler o livro, não aconselho ver o vídeo abaixo. Quem já leu vai adorar relembrar um dos pontos altos da obra: o discurso de Atticus no julgamento de Tom:



JABÁS

No original...


Tradução...


Filme...




Vou tentar. Mas não garanto.


Lembra quando éramos mais novos e o primeiro dia de aula se aproximava? Começava o ano e eu jurava pra mim mesmo que iria copiar tudo, fazer o dever todo dia e ser organizado. Uma semana de aula se passava e o caderno só tinha a primeira matéria copiada, eu não fazia a mínima idéia qual seria o dever de casa, se é que a "tia" tinha passado algum dever.


Pois bem, com o meu blog vai ser diferente. Não vou prometer nada. 


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