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O homem que desafiou os diabos


Henrik, um velho general do Império austro-húngaro recebe uma carta de Konrad, alguém que ele não vê há 41 anos e 43 dias, quando o rapaz desapareceu sem dar motivos. É o que contam as primeiras páginas de As Brasas, romance do escritor Sándor Márai publicado em 1942. A obra relata o acerto de contas de dois ex grandes amigos. Acerto de contas este, feito num jantar de gala onde os dois travam um duelo acirrado onde as únicas armas utilizadas são as palavras.

Sándor Márai nasceu numa pequena cidade da Hungria, que hoje pertence a Eslováquia, e era muito popular em seu país até que em meados de 48, por combater tanto o nazismo quanto o regime comunista húngaro, teve toda a sua obra proíbida. Graças a isso o autor caiu no esquecimento e só foi lembrado em 1989 quando, já com 89 de idade, se matou com um tiro na cabeça em San Diego, nos EUA.

Resolví falar desse livro porque, além de ser o que eu estou lendo no momento, eu não lía algo tão bom há muito tempo. Sándor Márai é genial. Ele descreve tudo com o número de palavras suficiente: nem uma letra a mais ou a menos. Seu modo prático e cético de pensar se refletem na sua escrita. Sándor não faz uso de floreios, sua precisão é "bizarra". É como se cada palavra fosse tão valiosa que não pudesse ser desperdiçada em qualquer frase. Os diálogos entre os dois personagens principais são uma das melhores coisas que eu já lí na minha vida. Vale a pena demais.

A edição é da Cia. das Letras e tem na capa uma tela muito bonita de Mark Tansey, chamada Julgamento de Paris II.

JABÁ

1 comentários:

Vou ler depois, mas bem depois... Assim como você, leio sem pressa... e tenho umas 6 indicações suas COMPRADAS aqui! UAHEuhaEUHAEUHA

Abração!

15 de março de 2009 às 21:43  

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